terça-feira, 15 de outubro de 2013

Voltar a Outubro e ao Outono de outros tempos

Despistávamos a multidão para nos perdermos. Sentávamo-nos em bancos de jardim aleatórios, em lugares que permanecem intactos. Anconramo-nos à beira-rio, num banquinho que foi feito de memórias, e por lá ficamos no Outono, em Outubro, na primeira noite de chuva da estação.
O início faz tremeliques na barriga. Um mundo inteiro por descobrir, alicia-nos. Os olhos fixam-se, os corpos pedem para ficar naquele lugar. Só mais um bocadinho e um bocadinho a mais. 
Sempre houve luar, por cada mão dada, por cada respiração mais ofegante, por cada coração vibrante. Sempre houve um céu pintado para nós, a cada fim do dia, a cada sol que fugia. E então, parávamos, fosse em que sítio fosse, e prestávamos atenção.

E no banquinho, a chuva caía, caía cada vez mais e mais depressa. Valeu-me uma constipação, a primeira da estação.

E valeu-me o coração.

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