terça-feira, 24 de maio de 2016

Dois Pares e Meio de Asas

Bom dia.

O corpo é uma máquina maravilhosa. Que se veste de sensações.

Os olhos são a nossa janela para o mundo. E o mundo é infinitamente sugestivo.
São eles que nos fazem pasmar e apaixonar. Inspiram os restantes sentidos. Fazem-nos querer tocar, sentir e conhecer melhor. Dão-nos fome, fazem-nos provar e reparar em coisas que não saltam à vista de todos. E do mesmo modo que nos fazem apaixonar, são eles que muitas vezes nos fazem arrepiar.

O toque é uma realidade mais próxima do que o olhar. É mais íntimo e pessoal. Um toque não tem que ser apenas isso. Ajuda-nos a conhecer sem termos que falar. É um conhecimento silencioso, sem quaisquer reticências.

Qualquer sentido é um alarme. Mas são os nossos ouvidos que nos fazem despertar mais rápido. Entre o silêncio e o ruído, estão as mais deliciosas melodias. E se fecharmos os olhos ou nos abstrairmos do resto, obtemos o talento de escutar apenas aquilo que queremos.

O nariz é selectivo. Há cheiros que denunciam a estação do ano, que marcam cada parte do dia. Há cheiros que nos fazem querer ficar para sempre no mesmo lugar e outros que nos fazem querer voltar.

A nossa boca é uma mola de sensações. Gostamos do quente e do frio e do que é doce. Gostamos do aspecto que os nossos olhos vêem e de provar algo novo.
Provamos porque despertamos mais do que um sentido. Saboreamos porque o paladar nos satisfaz.

Viver pode tornar-se cinematográfico. Se um toque não for apenas um toque. Se experimentarmos provar algo de olhos fechados. Se, no meio do ruído, conseguirmos filtrar apenas os sons que nos interessam. Se nos deixarmos cativar pelos cheiros. E, no fim de um dia quase esgotado, ainda tivermos tempo para um olhar mais demorado.

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Um elogio aos 5 sentidos e o guião da curta-metragem Dois Pares e Meio de Asas.


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