sexta-feira, 25 de março de 2011

A família café. O café-família.

Gosto de me sentar aqui, no café-família-escondido. Tons quentes e uma quase-luz-natural preenchem o pequeno grande espaço que atrai olhares minuciosos, de diferentes idades e vários tamanhos. Decoração livre, atraente aos sentidos, um conforto que se alapa em cadeiras que não combinam. Descontraído por natureza, inteiramente familiar: um quarto, a sala simples e cheia de tudo, a minha casa. Música que viaja em mim e me faz viajar fora do lugar esquecido onde estou. Não me lembro do seu nome, do seu barulho nem das pessoas que dele fazem parte, vivo por completo este momento... Deixo-me conduzir pelo som, pelo aroma torrado que se aproxima, pelo toque da loiça na mesa de madeira, o rasgar do papel, o misturar, o raspar da colher na chávena alta, o seu toque quente no lábio inferior - gosto do seu sabor - o regressar a casa.

O espreitar do sol pela janela em forma de rectângulo, no cantinho onde a música mora e se expande pelo restante espaço despertando todos os meus sentidos.

As mesas, tão longe e tão perto umas das outras, cúmplices de tantas histórias. Gosto de imaginar os segredos que já se sentaram à mesa, as diferentes conversas que se sentaram nos sofás vermelhos, os risos e palavras de brincar que se baralham com o fumo que abafa o correr das horas. A simplicidade crescente em cada som, passo lento, toque delicado, o descontrair do auto-desassossego.

É mais uma vez o voltar a casa, neste café-família, família-café. Local onde só existe o presente atento a cada momento.

14 Setembro O9

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