Sentámo-nos ali como duas crianças de 4 e 5 anos. Não chegamos com os pés ao chão, somos demasiado pequeninos. E o mundo à nossa volta parece tão grande que nunca mais acaba. O céu azul-outono e redondo, sem vestígios de nuvem, dá-nos a conhecer a forma do planeta. Ficamos por ali, sentados e sem tocar com os pés no chão. Não precisamos de tocar com os pés no chão, não agora que estamos a crescer. E crescer é aos bocadinhos.
Somos vítimas de uma anomalia que se manifesta em simultâneo. E cúmplices de uma história que começou sem prefácio ou nota introdutória. Não há narrador. Existe apenas um mundo inteiro como cenário e duas pessoas que na sua pequenez são detentoras de sintomas que coincidem, consequência de uma espécie de doença rara. O "perfeito-estranho".
Ser autêntico é não chegar com os pés ao chão. Não chegar com os pés ao chão é ser-se naturalmente genuíno e espontâneo, que nem uma criança. É não ter a noção correcta do tempo e viver cada momento sem pensar demasiado no que vem a seguir. Não importa o que vem a seguir. Importa o agora e importa ter o presente como um verdadeiro presente que nos é oferecido. E, tal como tu, eu não quero que isto nos passe ao lado. Quero permanecer ali sentada e quero-te lá comigo. Sem que qualquer momento espelhado no rio se perca.
Wow! Desconhecia esta veia e o que andei a perder!
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